História da Bicicleta

Você já andou de bicicleta? Certamente sim. Quase todo mundo já deu, pelo menos, uma "voltinha" num desses veículos. As estatísticas dizem que eles somam 100 milhões no mundo, nos dias de hoje. Há muitas razões para essa popularidade da bicicleta. É de preço relativamente baixo, não consome combustível, ocupa espaço reduzido e quase não pede manutenção. Numa rua congestionada pode seguir seu caminho através do tráfego, margeando a longa fila de carros; fora da cidade, pode passar por sendas estreitas e, quando o caminho está intransitável, o condutor pode carregá-lá sem maior sacrifício - pois é muito leve: pesa cerca de 10 quilos. No entanto, pode suportar cargas até de 100 quilos.

Uma pessoa, de bicicleta, pode locomover-se normalmente à velocidade de 16 a 20 quilômetros por hora, o que nunca conseguiria andando a pé.

É veículo que serve para prática esportiva, para divertimento e para transporte rural e urbano. Neste ultimo caso, no entanto, depende, em grande medida, da topografia das cidades. Além disso, o ciclismo exige grande disciplina de tráfego: quando este é desorganizado, o perigo de acidentes é muito grande.

Na Europa, a bicicleta é, ainda hoje, o veículo mais difundido. Na Inglaterra, na França, na Alemanha, na Holanda, na Itália, na Bélgica e na Escandinávia ela é um importante meio de transporte.

No sul do Brasil, principalmente em Santa Catarina, é muito utilizada pela população. Mas o centro urbano brasileiro onde existe em maior número, em relação à quantidade de habitantes, é a cidade de volta Redonda, no estado do Rio de janeiro – onde está localizada a usina da companhia Siderúrgica Nacional.

Do Século XVI até Hoje

A mais antiga notícia que se tem de um veículo semelhante à bicicleta data de 1580. Na janela de uma igreja de Buckinghamshire, Inglaterra, Construída naquele ano, há o desenho de uma pessoa sentada num instrumento de rodas e que usava os pés para impulsioná-lo.

Não se sabe, porém, se trata de mera imaginação do artista ou da reprodução de um veículo de fato existente na época.

No fim do século XVII um certo Stephan Farfler imaginou um sistema de engrenagens movido por uma manivela que, segundo ele, poderia andar um triciclo. Pelo projeto, o conduto acionaria a engrenagem com as mãos e o veículo se movimentaria. Mas a idéia não chegou ser posta em prática; ficou no papel, como aquela outra de um monociclo, de autor desconhecido, projeto complicado do qual restam apenas desenhos.

As primeiras experiências vieram em 1970 e são devidas a Magurier e Blanchard, com uma velocípede. O fato é descrito num jornal parisiense da época.

Em 1790, outro francês, de Sivrac, ao que parece apenas para diverti-se, construiu um veículo que denominou celerífero; era uma espécie de cavalo de madeira com duas rodas – uma entre as "patas" dianteiras e outra entre as de trás; o veículo movia-se com os pés do ciclista apoiados no solo, mediante um forte impulso para diante.

Baseado no mesmo princípio, Jean N. Niepce construiu, em 1816, o celeripede (Niepce foi um dos pioneiros da fotografia e, com seu invento, não pretendia outra coisa senão melhorar a arte fotográfica, fixando pela primeira vez, com sua câmara, um veículo em velocidade.)

De todas essas tentativas, resulta, em 1818, a Laufmaschine, do Barão Karl Von Drais, de Sauerbrun, no então grão-ducado de Baden. A nova versão do biciclo acrescentava apenas o guidão – melhoramento simples, mas fundamental, dando direção ao veículo; e o selim – que o tornava bem mais confortável. Com sua montaria (denominada "draisiana") o barão fez em quatro horas o trajeto Kalruhe-Strassburg, isto é, em quatro vezes menos tempo que se o fizesse a pé. Demonstrada a eficiência do novo meio de locomoção, passou a ser fabricado nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Mas a grande revolução ainda estava por vir. Ela se verificou entre 1852 e 1853, quando Philip Fisher, alemão de Oberndorf, ajustou pedais às rodas dianteiras, por meio de uma manivela. Com seu inventado, Fisher pensava Ter apenas facilitado suas viagens diárias até a escola técnica de Schweinfurt, onde era professor. Na verdade, porém, fazia muito mais: abria caminho para a velocípede, que viria a ser um dos inventos mais populares dos fins do século XIX.

De fato, em 1861, os franceses Pierre e Ernest Michaux retomaram o princípio, aplicando pedais ao cubo da roda dianteira. Pressionando os pedais com os pés, transmitia-se movimento a uma ampla roda que fazia o veículo avançar com grande rapidez. Assim, aproveitava-se inteligentemente a energia do homem para movimentar o veículo.

Obtendo a idéia grande aceitação, os Michaux implataram a primeira fábrica de bicicletas que existiu no mundo. Um operário dessa fábrica, chamado Lallemant, um dia resolveu viajar para a América; chegando aos Estados Unidos registrou o invento em seu nome e instalou nova fábrica. Com isso, o velocípede se tornou universal.

A Bicicleta como Esporte

Neste século, a rápida difusão do automóvel diminuiu, em parte, o interesse pela bicicleta como meio de transporte, embora, ainda hoje, ela seja popular em muitas regiões do mundo.

Há um campo, contudo, no qual o interesse por esse veículo não tem decrescido: o esportivo. A bicicleta esportiva é de desenho e material especiais. É mais leve e permite velocidade maiores.

As corridas de bicicletas começaram na Inglaterra, nos fins do século XIX, e na França, onde por volta de 1880 foi fundada a União Ciclística Internacional. Daí em diante, o ciclismo se tornou tão popular que foi um dos dez esportes incluídos nos I jogos Olímpicos da Era Moderna, realizados em Atenas, em 1896.

As mais famosas provas ciclísticas são a Volta da França, a Volta da Itália e a Volta da Espanha. Essas competições se realizam em estradas e são vistas por grandes multidões, que se colocam à margem do percurso. A Volta da França (Tour de France) cobre cerca de 4450 km, numa duração média de 25 dias. Foi realizada pela primeira vez em 1903 e interrompida apenas durante as guerras mundiais.

Além das competições em estradas, realizam-se provas ciclísticas em pistas especialmente construídas para esse fim. Chamadas velódromos, caracterizam-se pela forma oval e acentuada inclinação das curvas.

Entre nós, o ciclismo não tem a mesma repercussão. Sua prática, no Brasil, data do início do século; mas somente em 1920 é o que começou a ser realmente organizado. A Federação Paulista de Ciclismo foi fundada em 1925. O primeiro campeonato brasileiro realizou-se em 1938, em Porto Alegre.

Perigo sobre Duas Rodas

Os ciclistas profissionais de provas de resistência em estradas se recusam a usar capacetes. Em 1991, na corrida entre Paris e Nice, a Federação internacional de ciclismo tentou tornar obrigatório o uso do capacete, e eles fizeram uma greve contra a medida. Argumentam que o equipamento diminui o rendimento e, como a maioria das provas é realizada no verão, esquenta muito a cabeça. A Federação internacional voltou atrás e passou simplesmente a recomendar o seu uso nas categorias profissionais. A obrigatoriedade restringe-se aos amadores. No Brasil, onde não há profissionais, a Confederação Brasileira de Ciclismo determina o uso do equipamento em todo tipo de prova.

Em terreno plano e linha reta, um ciclista profissional pode atingir 65 km/h. em descidas, essa marca dobra. Ao fazer uma curva em declive a 80 km/h, o italiano Fabio Casteralli, 24 anos, campeão olímpico da prova de resistência, perdeu a direção da bicicleta e bateu a cabeça contra um bloco de concreto que servia de guard-rail. Foi na volta da França, entre as cidades de Saint-Girons e Caurets, em julho de 1995. Ele sofreu múltiplas fraturas no crânio e morreu na hora.

No dia 28 de setembro de 1991, o engenheiro Ronaldo Novaes Mattar – irmão de tenista Luiz Mattar – treinava na marginal Pinheiros, em São Paulo. Um caminhão atingiu sua bicicleta e o arremessou brutalmente contra guard-rail. O motorista fugiu. Ronaldo chegou morto ao hospital, com a coluna cervical quebrada.

Bibliografia
Curitiba. Prefeitura Municipal. Secretária da Educação.
Educação: Sinal Verde para o Trânsito/ Prefeitura Municipal de Curitiba. Secretária da Educação; DETRAN/PR. Autora: Juciara Rodrigues, Curitiba: módulo, 1998
DUARTE, Marcelo. Guia dos Curiosos. São Paulo : Companhia das Letras, 1996

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