Você no Trânsito - Jovem

Os acidentes de trânsito são hoje, uma das maiores causas de mortes e invalidez entre jovens na faixa etária de 18 a 25 anos constituindo-se assim, num dos grandes problemas da vida contemporânea que mata 25 mil pessoas por ano no Brasil.

No rastro das perdas humanas, o acidente de trânsito ainda provoca ferimentos de gravidade variada, traumas psicológicos, danos materiais e prejuízos ao sistema produtivo de qualquer nação, considerando a média de idade dos óbitos ser de 33 anos.

A relação entre o jovem e o trânsito é um fato amplamente discutido. A legislação é categórica quando se refere a idade de 18 anos para a obtenção da carteira nacional de habilitação principalmente quando os dados estatísticos revelam que eles são os maiores causadores de acidentes, tendo sempre como fatores, a imprudência e a imperícia, salientando o fato de estarem dirigindo sob o efeito de álcool ou de outras drogas.

É fundamental que os jovens percebam a importância do respeito às leis e reflitam sobre o fato de que proibição não significa o mesmo que punição e que, o fato de ser proibido dirigir antes dos 18 anos, não pode ser visto como castigo pois a punição virá em consequência do desrespeito a proibição.

O comportamento dos jovens é caracterizado pelo desejo de testar os próprios limites, ousadia, desejo de quebrar barreiras e inovar. Fatores que são tão positivos para outros setores da vida, mas no trânsito, transformam estes jovens em personagens principais da cruel realidade dos acidentes com veículos automotores. Portanto, é necessária a conscientização de que o dirigir é um ato de responsabilidade e não um simples prazer e para os jovens que se encontram numa fase típica de extrema resistência à convenções é necessário lhes proporcionar os meios para a descoberta do seu papel social, sem a postura rígida e autoritária por parte da família ou dos professores.

Os jovens, apesar de demonstrarem atitudes independentes, ainda estão sob a autoridade dos pais ou responsáveis. Ainda estão em uma fase de transição, passando da afeição centrada na família, para um sistema de apego centrado no grupo de iguais ou em numa pessoa de outro sexo, estruturando ainda sua identidade.

Aos poucos se torna consciente de que é um indivíduo, separado de todos os outros, que é uma unidade que terá que achar seu caminho sozinho, provar a si mesmo que é capaz de fazer o que o adulto faz. Nesta adaptação, o comportamento dos pais é ponto de extrema importância, respeitando o seu padrão de crescimento, envolvendo-os num ambiente sadio de padrões de comportamentos adequados, mostrando-lhes o caminho da verdade com exemplos positivos da sua própria conduta.

O programa educativo começa na própria família, com orientações sobre as regras elementares de segurança, como diminuir os riscos de acidentes escolhendo percursos mais seguros, a necessidade do respeito as leis de trânsito como forma de exercício de cidadania. É por meio do exemplo, de um lar equilibrado e acolhedor que se consegue uma boa formação do caráter do adolescente para que ele se torne um adulto responsável.

Sabe-se que educar para o trânsito é, antes de tudo, educar para a vida.

A Velocidade e as Drogas

A questão do exibicionismo do jovem com o veículo, por si só não gera o problema da velocidade. Mas a “bagunça” que é comum dentro do automóvel de um jovem, acompanhado por amigos, com som em alto volume e tendo na paquera um dos objetivos do passeio, pode ser apontada como mais um fator que agrava a questão da segurança e da atenção. Como o padrão de lazer deles é o de nunca sair sozinho, este é um outro aspecto preocupante, segundo Eduardo Biavati. “É o ‘eu e minha turma’. Então, em um acidente, sempre mais de um vai se machucar”, diz o sociólogo. A impaciência desta faixa etária também é característica. É comum observar no tráfego, jovens motoristas “costurando” entre os demais veículos, “grudando” no fundo do veículo que está à frente, ultrapassando pela direita ou na contramão. Os jovens não aceitam freios e limites.

A alta velocidade transforma as ruas da cidade em rodovias e aumenta a gravidade dos acidentes. Se houver uma batida frontal com o carro a 80 km/h, é preciso levar em consideração que o outro veículo também está em movimento e, então, é possível imaginar o impacto que isto representa. O que acontece é que muitas pessoas acreditam que “decorando” as placas de sinalização e sabendo conduzir um veículo, estão totalmente prontos para enfrentá-lo. Porém, a realidade mostra que a maior parte dos acidentes ocorre pela irresponsabilidade, imperícia e negligência do ser humano e não por desconhecimento das regras, falha nos veículos ou defeitos nas vias.

Levando-se em conta os padrões de comportamento, como o gosto pela velocidade, a baixa taxa de utilização do cinto de segurança e hábitos de lazer, que quase sempre envolvem a bebida alcoólica, os jovens estão mais expostos aos acidentes. Dois fatores são fundamentais para traçar esta realidade:

  • o fato da ousadia ser própria da idade, das crenças pessoais, “de que com ele as coisas não vão acontecer” e;
  • o fato da falta de conhecimento.

É preciso lembrar que o motorista novo ousa na direção e não está preparado para respostas imediatas e para emergências.


O excesso de velocidade e a bebida alcoólica que são o grande atrativo para o jovem, são considerados causas de acidentes em geral. Estas duas coisas, combinadas ou não, agravam os fatores apontados acima. O álcool torna o reflexo mais lento e a velocidade faz com que a situação de emergência esteja mais próxima.


O veículo não deve ser visto como uma máquina. É preciso mostrar todos os aspectos que o automóvel ou motocicleta representam, levando-se em conta as questões de educação e cidadania. O trânsito é um espaço público que as pessoas têm que saber dividir e conviver e o papel da família quando bem estruturada, que é realmente um núcleo de desenvolvimento de valores, contribui para a formação do futuro condutor.

O risco de acidente com jovens abaixo de 20 anos é três vezes maior do que com uma pessoa de 35 anos de idade. Além disso, a incidência maior de acidentes e de casos com perda total, ou seja, maior gravidade ocorre entre os jovens, principalmente os do sexo masculino.

A educação começa em casa, principalmente com o exemplo dos pais. E quantos pais existem que contribuem para a deformação do caráter de seus filhos, dando-lhes apoio injustificável e imerecido permitindo que desde cedo, comecem a infringir as leis? Referimo-nos, especificamente aos pais que permitem que seus filhos menores dirijam seus veículos muitos, até viajando ao lado deles. Estão assim contribuindo para agravar o desrespeito às autoridades, bem como o descaso pelas leis existentes que deviam ser observadas justamente pelos seus destinatários. (Paulo Lúcio Nogueira)

Principais temas a serem discutidos pelos jovens e seus pais:

  • Rachas;
  • Alcoolemia, outras drogas e direção;
  • Carteira Nacional de Habilitação;
  • Motociclistas;
  • Fiscalização;
  • Poluição e trânsito;
  • Direção Defensiva;
  • Condutor x Pedestre;
  • Condutor de veículo automotor x condutor de veículo não automotor;
  • Atropelamentos x Punição;
  • Parar para ajudar ou seguir em frente;
  • Uso do cinto de segurança ou capacete;
  • As infrações e as punições de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

O objetivo perseguido por boa parte dos condutores, principalmente o jovem é completar o percurso, ou sua viagem, no mais curto prazo possível. Para isso, usa e abusa do poder que o veículo lhe proporciona, seja pela falsa sensação de proteção, ou seja pela potência do seu motor. As restrições ao ímpeto de alta velocidade decorrem de sua avaliação dos riscos de acidente e a probabilidade de ser multado. Os fatores de ordem moral são muito frágeis em nosso País. E quando operam, fazem-no de fora para dentro, isto é, o condutor não pratica certas infrações pela vergonha de ser surpreendido no ato de cometê-las. No entanto, quando se constata o grande número de infrações realizadas em frente a escolas, clubes, teatros, igrejas, ou qualquer lugar de grande movimentação conclui-se que tampouco esse mecanismo tem funcionado.

O respeito à sinalização, portanto, decorre do medo de acidente ou da multa. A noite quando não há policiais, somente a avaliação de risco de acidente, feita pelo condutor determina seu comportamento.

No ímpeto de atingir o objetivo de minimizar tempo, os condutores transformaram nosso trânsito em verdadeira competição, envolvendo vários tipos de disputas, tais como:

  • quem identifica e ocupa mais rapidamente uma vaga no estacionamento;
  • quem entra mais rápido no espaço de segurança que separa dois veículos em alta velocidade;
  • quem costura o trânsito com mais determinação;
  • quem consegue aproveitar os poucos segundos entre o fechamento e abertura do semáforo para cruzar ou entrar numa rua, podendo chocar-se com outro veículo que arranca abruptamente antes do semáforo abrir;
  • quem consegue cruzar ruas em áreas residenciais sem parar ou reduzir a velocidade, realizando movimentos rápidos de pescoço e de olhos a fim de identificar eventuais riscos de acidente nos cruzamentos;
  • quem consegue desviar de buracos, veículos mais lentos ou estacionados, entrando em outras faixas de forma brusca e inesperada;
  • quem consegue “colar” no para-choque traseiro, pressionando com luz alta o motorista da frente para ultrapassá-lo;
  • quem ultrapassa outros veículos em rodovias de mão dupla, em locais indevidos, acendendo a luz alta e arremetendo os veículos que transitam em sentido oposto para o acostamento.

Um desrespeito aos pais pode ser relevado; aos professores, já implica em advertência e às autoridades sociais, é penalizado.

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