Pessoas com Deficiência

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nos países com níveis superiores de saúde, educação e cultura, 10% da população, em tempo de paz, possui algum tipo de deficiência. No Brasil, este percentual tem altas dimensões, que segundo estudos pode chegar a mais de 40%. Observamos que o número pode ser muito maior se considerarmos o número de pessoas no núcleo familiar envolvidas com a problemática econômica, emocional e social da pessoa com deficiência e as altas taxas de desnutrição, de violência urbana (destacando-se a liderança do Brasil nos acidentes de trânsito), aliados a um precário sistema de saúde e educação.

É preciso despertar para o exercício da cidadania, em que todos tenham o direito de ir e vir com segurança, autonomia social e moral, sem perigo para o bem estar físico, psicológico, social, individual ou coletivo.

As pessoas com deficiência são pessoas de diferentes idades, nível socioeconômico, profissões, motivações, necessidades para se locomover e utilização dos meios de transporte.

Pessoas com deficiência apresentam:

Dificuldades locomotoras:

  • Pessoas que usam bengala, muletas, cadeiras de rodas, com membros inferiores mutilados, que usam algum tipo de aparato ortopédico fixo ou provisório (gesso, ataduras ou curativos), mães com crianças no colo, com sacolas, entre outras.

Dificuldades corporais:

  • Pessoas idosas, cardiopatas, reumáticas, obesas, extremamente baixas ou de estatura elevada ou com membros inferiores ou superiores lesados.

Dificuldades sensoriais:

  • Pessoas com perda de visão parcial ou total, ou problemas clínicos como: graus elevados de cataratas, astigmatismo, hipermetropia, estrabismo e daltonismo; com perda parcial ou total de audição, com problemas de fala total ou parcial.

Dificuldades mentais/culturais

  • Pessoas com diferentes graus de incapacidade mental, analfabetos, sem domínio do idioma português.

 

Comportamento no trânsito com pessoas com deficiência

1. Pessoa com deficiência física, motorizado ou cadeirante na rua

Transitando pela calçada você poderá conduzi-lo normalmente. Caso a calçada tenha buracos e desníveis, se a cadeira de rodas for do modelo que tem rodas pequenas na frente, deve empinar a cadeira para trás e conduzi-lo com as rodas dianteiras suspensas. Essa mesma regra vale para subir em guias rebaixadas ou em degraus quando for um só. Se forem dois ou mais degraus, deve agir da seguinte forma: posicione a cadeira de rodas, de costas para os degraus, empinando a cadeira de rodas para deixar suspensas as rodas dianteiras. Se a cadeira de rodas for do modelo que tem rodas grandes na frente, pode conduzi-la normalmente nas calçadas com desníveis e com buracos e desníveis. Para subir degraus com esse modelo de cadeira, é muito difícil. Recomendamos que duas pessoas suspendam a cadeira se não existirem rampas de acesso.

  • A utilização de cadeira de rodas impõe limites à execução de tarefas, por dificultar a aproximação aos objetos e o alcance a elementos acima e abaixo do raio de ação de uma pessoa sentada;
  • Os limites de alcance visual para pessoas em cadeiras de rodas são de acordo com a altura e ângulo de visão;
  • Não estacione seu veículo em lugares reservados para pessoas com deficiência fisica.

2. O deficiente físico no ponto do ônibus

Essa questão é difícil para o deficiente físico que depende de transporte coletivo, uma vez que os carros não são preparados para o acesso à essas pessoas. Outro fator, é que os motoristas, estacionam longe da calçada e sempre estão com muita pressa e quem vai ajudá-lo tem que ser ágil e possuir força física. Na questão de embarque, verifique com o cidadão o que é melhor. Caso não tenha uma forma definida, embarque primeiro a pessoa, depois a sua cadeira.

Obs.: Deve-se levar em conta que a maioria tem medo de cair, por isso, ele deve ser conduzido ou embarcado e desembarcado com segurança. Se o cidadão for muito pesado, de preferência, deve segurar as pernas e outra, o tórax, colocando suas mãos por debaixo das axilas.

  • É bom avisar o motorista que está embarcando e desembarcando um deficiente físico, pois poderá ocorrer que, ao descer a cadeira de rodas, o motorista saia, deixando para trás sua cadeira de rodas. Como existem muitos tipos de cadeiras, informe-se com o usuário a forma de fechá-la.

3. O deficiente físico de cadeira de rodas do modelo com manivelas

Esse tipo de cadeira de rodas proporciona maior agilidade no trânsito. Porém, não dá à ele a possibilidade de tomar um ônibus, pois a cadeira de rodas não dobra, daí ele tem que deslocar-se por longas distâncias.

  • Existe o risco das correntes se soltarem da manivela. Caso isto aconteça quando ele estiver atravessando a rua, a ajuda deverá ser de apenas empurrar a cadeira de rodas para a beira da guia, para depois consertar as correntes.

4. O deficiente físico no estacionamento

Para estacionar, o usuário precisa de um espaço lateral maior que o normal, pois ele terá que desembarcar de sua cadeira de rodas, que deverá ficar ao lado do veículo.

Obs.: Nunca estacione na vaga reservada para o deficiente físico.

  • Ao se propor ajudar no deslocamento de um deficiente físico, verifique antes os acessos, pois as barreiras arquitetônicas podem impedir que você e ele cheguem ao local desejado.

5. O deficiente físico que usa muletas, andador ou bengalas

Ao andar ao lado de um cidadão que usa um destes tipos de auxílio, esteja atento e tome muito cuidado para não tropeçar neles, pois você pode derrubá-lo.

  • Nunca deixe o equipamento longe do alcance do deficiente físico;
  • Acompanhe o ritmo de sua marcha;
  • Tome todos os cuidados necessários para que ele não tropece;
  • Se você perceber que o deficiente físico tem dificuldade em localizar obstáculos, degraus, buracos, veículos, informe-o antecipadamente dos mesmos;
  • Caso o deficiente físico tenha locomoção apenas em ambientes restritos, ao sair na rua, ele precisará de orientação para aprender como utilizar seu equipamento de locomoção. Procure um profissional da área de fisioterapia ou de terapia ocupacional para orientá-lo.

6. O deficiente visual (cegueira e visão subnormal)

Ofereça sua ajuda sempre que perceber que o deficiente visual necessite. Mas não o ajude sem que ele concorde. Sempre pergunte antes de agir. Se você não souber em que e como ajudar, peça explicações de como fazer.

Para guiar o cidadão, não o puxe ou não lhe dê a mão. É perigoso. Ofereça-lhe o braço para segurar acima do cotovelo, posicionando-se meio passo à frente para evitar os obstáculos e para que ele perceba o movimento de seu corpo. À medida que encantar degraus, meios fios, postes, floreiras, lixeiras e outros obstáculos, vá informando antecipadamente. Em passagem estreita, coloque o braço para trás, de modo que o cidadão perceba seu movimento e possa seguí-lo.

  • Ao deixar a pessoa na calçada ou em ponto de ônibus, informe-a para que não fique falando sozinha;
  • Ao informar direções, procure utilizar pontos de referência concretos e não visuais, orientando localizações e distâncias a partir do referencial do próprio indivíduo;
  • Ruídos muito altos (carros, motos, buzinas...) podem prejudicar a orientação ao deficiente visual, pois ele se orienta por dicas auditivas. Ao levá-lo para sentar-se no banco do ônibus, guie sua mão para o encosto e informe se o banco tem braço ou não;
  • Procure atravessar a rua em linha reta, com o cidadão, caso contrário ele perderá a direção;
  • Se você é deficiente de baixa visão ou cegueira noturna, procure utilizar a bengala para não correr maiores riscos no trânsito;
  • As marcas no chão ou os sinais sonoros permitem ao deficiente visual andar com segurança;
  • Se for deficiente visual, procure um Instituto ou Associação de cegos, para aprender a usar melhor as diversas técnicas de orientação e mobilidade;
  • O uso da bengala deverá ser introduzido o mais cedo possível, para que o deficiente visual adquira independência e autonomia em sua orientação e mobilidade. A bengala é um efetivo auxílio de locomoção, permite orientação para proteção e segurança.

A Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005, dá o direito a todos os deficientes visuais entrarem e pernamecerem em locais públicos acompanhados por cão-guia.

7. O deficiente auditivo (surdez total, parcial ou leve)

Fale claramente, pronunciando bem palavra por palavra, mas não exagere. Fale em ritmo normal, salvo quando lhe for pedido para falar mais devagar. Cuide para que a pessoa surda perceba os seus movimentos labiais. Fale com o tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para levantar a voz. Gritar, nunca adianta.

Seja expressivo. Como os surdos não podem ouvir as mudanças sutis no tom de sua voz, indicando sarcasmo ou seriedade, a maioria deles fará a leitura de suas expressões faciais, seus gestos ou movimentos do seu corpo para entender o que você quer comunicar.

Se você quer falar a uma pessoa surda, chame a atenção dela, seja sinalizando com a mão ou tocando seu braço. Enquanto estiverem conversando, mantenha contato visual; se você olhar para outro lado enquanto estiver conversando, o surdo pode pensar que a conversa terminou.

  • A sinalização do veículo (seta, pisca-pisca, alerta, luzes...) é de fundamental importância para sua orientação e segurança;
  • A comunicação visual através das placas de sinalização, semáforos... é a principal fonte de informação para o surdo orientar-se no trânsito.

8. O deficiente mental

O deficiente mental tem condições de conviver em sociedade, aprender a comportar-se no trânsito, trabalhar e estudar. Portanto a satisfação das necessidades físicas e emocionais devem ser buscadas.

Deficiência Mental não é DOENÇA mental.

  • Necessitam de convívio;
  • À sua maneira e seu jeito, ele precisa sair e se comunicar com outras pessoas;
  • Trate-o como pessoa, respeitando seu potencial de desenvolvimento, independente da idade;
  • Se for criança, trate-a como criança, se for adolescente ou adulto trate-o como tal;
  • Se a compreensão for de criança saiba que a rua não é lugar de brincadeiras.
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